Há exatamente cinco meses, incontáveis páginas da história do Brasil foram aniquiladas em definitivo, por causa de um incêndio de grandes proporções que destruiu a sede do Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. O sinistro do dia 02 de setembro de 2018 consumiu aproximadamente 18,5 milhões (92%) dos 20 milhões de itens do seu acervo histórico e científico, armazenados e catalogados ao longo de dois séculos.

A beleza arquitetônica da Igreja do Desterro está comprometida com infiltrações em suas paredes e telhados
No Maranhão, mais precisamente na cidade de São Luís, alguns museus e igrejas localizadas na região central da cidade, considerados importantes pontos de visitação pública, seguem por esse mesmo caminho perigoso. A falta de reparos em suas instalações físicas pode ser o prenúncio de uma tragédia em proporções similares. São verdadeiros “arquivos” que guardam a história, a literatura, a cultura e a religiosidade maranhense, sediados em prédios antigos, que estão expostos a sinistros, pois estes imóveis oferecem pouca ou nenhuma segurança para quem visita e, sobretudo, para seus valiosos acervos.
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Tomando como exemplo deste caos cultural, a Igreja de São José do Desterro (segundo o poeta, a primeira do Maranhão), segue exibindo infiltrações em suas paredes e telhados e parcialmente fechada. Instalações elétricas improvisas e até mesmo extintores de combate a incêndio existentes neste templo católico estão com o prazo de validade vencido.

Extintor da Igreja do Desterro com prazo de validade vencido em dezembro do ano passado
Para piorar ainda mais as coisas, por motivos similares à Igreja do Desterro, alguns museus da capital maranhense estão fechados para visitação pública. Estas casas de cultura situadas no Centro Histórico tiveram suas portas trancadas, com o pretexto de intermináveis reformas. Enumera-se a esse triste cenário, a ‘Casa de Nhozinho’ e o ‘Museu de Artes Visuais’, que têm como endereço a Rua Portugal. O ‘Museu no Negro’ (Cafua das Mercês), na Rua Jacinto Maia, também está fechado para uma reforma que já se arrasta há mais de um ano.
Vale dizer que o Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, localizado na Rua 28 de Julho, recentemente foi fechado para recuperação do seu telhado, mas já abriu suas portas ao público.
Por outro lado, imaginou-se que, com a junção das secretarias de Estado da Cultura e Turismo, a valorização e investimentos em prol do acervo maranhense fossem ganhar prioridade, mas pelo visto, o título de Cidade Cultural, Patrimônio da Humanidade, cedido à São Luís pela Unesco, em 1997, no que depender destes benefícios, vai ficar mesmo do jeito que está: depreciado, desgastado e comprometido.

No detalhe: infiltração na cúpula da Igreja do Desterro
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