Instalado em um casarão histórico que abrigou, até o final do século XIX, a antiga Fábrica de Fiação e Tecelagem Cânhamo, no bairro Madre Deus, em São Luís (MA), o Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (Ceprama) celebra, nesta terça-feira (20), 37 anos de atuação na valorização, promoção e difusão da cultura e do artesanato maranhenses.

Fachada do prédio que abriga o Ceprama
Com aproximadamente 4 mil m² de área total, o espaço reúne 38 estandes dedicados à comercialização de peças artesanais produzidas em diferentes regiões do Maranhão. Os trabalhos expostos refletem a diversidade de matérias-primas encontradas no estado e a riqueza de técnicas e saberes transmitidos entre gerações.
Atualmente, o Salão do Artesanato do Ceprama mantém uma exposição permanente de peças feitas à mão, confeccionadas com matérias-primas como fibra de buriti, sementes, cerâmica, couro, ossos, palha e rendas de bilro, além de trabalhos em azulejaria e outras expressões do fazer artesanal.
“O Ceprama é destino obrigatório para turistas de todo o Brasil e do mundo que visitam o estado em busca da singularidade da cultura e do artesanato local. O Ceprama carrega a identidade cultural do Maranhão, e é missão de toda a sociedade preservar esse legado”, afirmou Socorro Araújo, secretária de Turismo do Maranhão (Setur-MA), órgão responsável pela gestão do espaço.
Da indústria têxtil ao artesanato
Antes de se consolidar como um espaço dedicado à cultura popular maranhense, o prédio que hoje abriga o Ceprama atravessou diferentes fases. Durante décadas, o complexo sediou a Fábrica de Fiação e Tecelagem Cânhamo, que produzia sacarias de estopa a partir de fibras de cânhamo, utilizadas na fabricação de tecidos resistentes. Com o declínio das atividades industriais, o empreendimento encerrou suas operações, e o imóvel permaneceu abandonado por anos.
“A Fábrica Cânhamo fez parte de um grande parque industrial têxtil maranhense, instalado em São Luís no final do século XIX. Àquela época, fazendeiros e empresários que atuavam no Maranhão precisavam de uma atividade para suprir o cenário economicamente desfavorável deixado pela abolição da escravatura”, explica o historiador e guia de turismo Bento Filho.
Com a retração das exportações e o enfraquecimento do setor têxtil tradicional, a fábrica encerrou suas atividades, deixando o complexo industrial em estado de abandono. Na década de 1980, como parte das iniciativas de recuperação e preservação do patrimônio histórico de São Luís, o Governo do Estado promoveu a restauração do imóvel, que deu lugar ao Ceprama, inaugurado em 1989.
“A fábrica fecha no final da década de 1960 e, durante muito tempo, ficou abandonada, esquecida e em ruínas. Até que, em 1989, o Governo do Estado adquire e revitaliza a antiga Fábrica Cânhamo para transformá-la no Centro de Produtos Artesanais do Maranhão”, relata Bento Filho.
Artesanato que atravessa gerações
Ao longo de seus 37 anos, o Ceprama consolidou-se como referência cultural e símbolo do artesanato maranhense. Quem visita o espaço encontra réplicas de azulejos típicos da arquitetura local, miniaturas de elementos do bumba meu boi, telas pintadas a óleo, rendas, doces e licores de diferentes sabores. Em alguns casos, também é possível acompanhar de perto o processo de confecção das peças.
Além de contribuir para o fortalecimento do turismo e da cultura estadual, o Centro transformou-se em uma importante fonte de renda para trabalhadores que encontraram no artesanato uma oportunidade de desenvolver seus talentos e preservar tradições. É o caso de Lúcia Franco, artesã que acompanha a trajetória do Ceprama desde os primeiros anos de funcionamento e produz e comercializa biojoias no local.

Lúcia ingressou no espaço como vendedora, em 1990, e, gradualmente, aprendeu a trabalhar com sementes de diferentes espécies, bordados em miçangas e peças de crochê. Hoje, orgulha-se de sua trajetória profissional e da experiência como permissionária do Ceprama, onde transformou criatividade e dedicação em um ofício.
“Cada peça que eu faço é uma festa. Tudo o que eu faço, para mim, no momento em que monto uma peça, é uma joia. Ainda mais quando o cliente chega e se apaixona. Se tem uma coisa que me deixa envaidecida é alguém comprar uma peça minha e eu sentir que a pessoa gostou. Eu me sinto a mulher mais feliz do mundo”, conta.
Outra artesã que se orgulha de integrar o conjunto de profissionais do Ceprama é Andrelina Neta. Há cerca de 15 anos, ela e o marido, Thyago Silva, confeccionam chapéus artesanais inspirados no bumba meu boi maranhense, utilizando bordados com miçangas, paetês e canutilhos.