A Latam Argentina parou de voar. A companhia aérea chilena anunciou nesta quarta-feira o fechamento de sua subsidiária, com 1.715 empregados, depois de vários anos de crise. “No complexo contexto da pandemia e suas consequências a longo prazo, não é possível visualizar alternativas de continuidade para as operações”, afirmou a empresa em um comunicado. O desaparecimento da Latam no país deixa a empresa pública Aerolineas Argentinas em situação próxima ao monopólio, apenas com a concorrência das low cost Flybondi e JetSmart.
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As sucessivas ondas de desvalorização que caracterizaram o mandato do conservador Mauricio Macri prejudicaram sua capacidade financeira e se refletiram em fortes prejuízos: 132 milhões de dólares (cerca de 640 milhões de reais) em 2018 e 133,4 milhões em 2019. Em 2019, já fechou várias rotas. A concorrência de uma empresa subsidiada como a Aerolineas Argentinas também foi crucial. Entre 2011 e 2020, a Latam Argentina perdeu 325 milhões de dólares. Nesse mesmo período, a Aerolineas, que em 2019 teve prejuízos de 680 milhões e calcula números negativos de até 900 milhões para este ano, recebeu do Estado 4,79 bilhões de dólares.
Quando a pandemia obrigou a cancelar os voos na Argentina, em 20 de março, a Latam tentou negociar com os sindicatos uma forte redução salarial de até 50%, mas não conseguiu chegar a um acordo. Enquanto a subsidiária norte-americana suspendeu os pagamentos nos termos do capítulo 11 da lei de falências para fazer frente às dívidas, a subsidiária argentina não obteve apoio por parte do Governo de Buenos Aires. Finalmente, dada “a dificuldade de gerar os múltiplos acordos necessários para enfrentar a situação atual”, a empresa optou pelo fechamento. Os voos para o exterior serão retomados quando a quarentena terminar, operados por outras subsidiárias. Todas as rotas internas, com doze destinos no total, desaparecem. As passagens já compradas serão reembolsadas.
A Latam Argentina apresentou na quarta-feira ao Ministério do Trabalho um Processo Preventivo de Crise para se desvincular de seus 1.715 funcionários. O processo pode ser complexo, porque uma lei proíbe demissões enquanto durar a situação excepcional de confinamento e quarentena no país.
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