A Sociedade Recreativa Favela do Samba promove neste domingo, 8 de novembro, a partir das 16h, em sua quadra social (Avenida dos Africanos – Sacavém), domingueira especial para comemorar seus 75 anos de existência e lançar a versão oficial e definitiva de seu samba enredo para o carnaval de 2027, baseado no tema em homenagem ao Grupo de Arte Maria José Aragão com o título GAMAR: O MÁGICO SEMEAR DE ARTES, SONHOS E TRANSFORMAÇÕES, de autoria do carnavalesco Pedro Padilha.

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Como já é do conhecimento público, o samba enredo da Favela do Samba para o carnaval de 2027 foi escolhido por meio de concurso público aberto a toda comunidade de compositores e sambistas interessados, no final do mês de setembro, tendo sido vencedores a dupla Carlos Boniek e Josiel Costa, numa disputa emocionante com outras quatro propostas.
Para a festa deste domingo, a Favela do Samba está anunciando as participações de várias atrações além da Bateria Carcará sob o comando de Mestre Júlio, estando entre elas a baterias das escolas co-irmãs Flor do Samba e Turma de Mangueira, o pagode do Miolo e a presença super especial do interprete carioca Emerson Dias outros sambistas convidados.
A direção favelense está anunciando também um momento de reconhecimento e agradecimentos a instituições, jornalistas e pessoas ligadas ao movimento sambista local, quando será outorgada aos homenageados uma réplica em formato de troféu inspirada no seu símbolo oficial – a lira.
A versão definitiva do samba da Escola Favela do Samba teve a participação dos interpretes Ivan Coracinha, Luís Carlos Pinheiro (Vovô), Yarine Rocha, Jorge du Pan, Geovane Frazão e Alysson Freitas. A direção geral foi de Mestre Júlio que comandou como sempre a performance dos ritmistas da Bateria Carcará, responsável pela base percussiva da gravação, realizada no JC Stúdio.

SINOPSE DO ENREDO
Para melhor entendimento dos interessados, segue a sinopse do enredo proposta pela Favela do Samba: Quando a boca de cena se abre e dois menestréis começam a dedilhar suas liras e a contar, em versos e prosas, a magia de como nasceram as artes: do pensamento, do verbo, do corpo e da alma… declamam e cantam que os mais antigos deuses do universo deram essa missão às musas do nosso mundo, por suas almas puras, por suas graças, sensibilidades e belezas… para espalharem e semearem os dons de fazer poesia: da imaginação ao verbo, e depois representá-la em forma de teatro e dança; de transformar matérias em encantamentos; ou, com mágicos pincéis, colorir no branco vazio a vida, a ilusão e os sonhos… Umas mágicas de adoração, lúdicas e satíricas; outras de grandes paixões, ou de imensas tristezas e tragédias.
A todas foram doados grandes potes cheios de pó mágico para serem lançados ao vento e fertilizar. E quem fosse atingido seria marcado com essa predestinação de conduzir e propagar as artes. E o tempo passou, e contam que a musa Enheduanna semeou a poesia na Mesopotâmia (Suméria). Depois Calíope, Euterpe e Erato lançaram o pó mágico da poesia na Grécia, em tributo ao deus Dionísio. As musas Melpômene e Tália, nas festas de Baco, semearam a magia do teatro. No Egito, em homenagem à deusa Hator, a musa Hator recebeu a missão de espalhar a dança. E, na Grécia, coube à musa Terpsícore, em tributo ao deus Apolo, soprar ao vento o pó mágico da dança.

E todos os pós mágicos foram lançados… e muitas outras artes foram sendo eternizadas. E o tempo passou, e grãos desses pós caíram sobre o Brasil, Nordeste, Maranhão, São Luís, Cidade Operária, Escola Estadual Maria José Aragão… sobre os ombros de um menestrel, um Dom Quixote moderno, que enfrenta moinhos de vento, reais e invisíveis. Ele abraçou essa missão que lhe foi dada, transformou esses pós em armas e escudos e partiu para a luta contra a falta de oportunidades e de pertencimento dos jovens que faziam parte da sua escola.
Mostrou um caminho de luz, como uma estrela-d’alva, clareando horizontes e derrubando barreiras. Levou jovens a buscarem, dentro da alma, força para assimilar conhecimento e semear, fazendo-os acreditar num mundo melhor, mais participativo e humano. Abriu caminhos para o ensino superior, para carreiras e para a valorização, para que se tornassem melhores cidadãos, melhores filhos e, no futuro, melhores pais. Fechou caminhos das ruas, das drogas, dos crimes e da depressão. Obrigado, Mestre Wilson Chagas! Obrigado, GAMAR!

Que nasceu dentro da escola e hoje faz parte de uma comunidade, de um bairro, de uma cidade, de um estado e, quem sabe, de um país. Começou com poesias, depois danças e teatro, e agora faz parte do dia a dia dos atuais integrantes e daqueles que tiveram a oportunidade de fazer parte desse projeto. Está presente nas poesias, nos espetáculos, nos carnavais, na Afroarte, nos festejos juninos (baião de seis), na educação, na comunidade e na memória de todos. Abençoados foram os pós das musas. Autor: Pedro Padilha.
(Texto: Professor Euclides Moreira Neto)
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