SETEMBRO AMARELO – Exercício físico e saúde mental: como movimentar o corpo pode ajudar

Além de melhorar o condicionamento físico, atividade pode contribuir para o humor, o sono e o controle do estresse, segundo especialistas

Além de fortalecer músculos, melhorar o condicionamento e contribuir para a prevenção de doenças, a prática de exercícios físicos também pode ter impactos importantes sobre a saúde mental. A relação envolve uma série de mecanismos que vão desde alterações neuroquímicas até melhora do sono, da autoestima e da percepção de capacidade funcional.

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Casa dos parafusos

Fito: Divulgação

Segundo o professor de Fisioterapia da Afya Santa Inês, Alexsandro Reis, o exercício provoca diferentes respostas no organismo simultaneamente. Durante a atividade, há aumento da frequência cardíaca, da circulação sanguínea e do aporte de oxigênio e nutrientes para os tecidos, inclusive para o cérebro.

“Ao mesmo tempo, ocorre uma modulação de diferentes sistemas neuroquímicos envolvidos na regulação do humor, da motivação, da resposta ao estresse e da sensação de bem-estar”, explica.

Entre os mecanismos envolvidos estão neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, além da liberação de endorfinas. O exercício também pode contribuir para a capacidade de adaptação do cérebro, ajudar na regulação da resposta ao estresse e influenciar processos inflamatórios e sistemas hormonais relacionados a essa resposta.

Para Alexsandro, porém, os benefícios não estão apenas nas alterações fisiológicas. A própria experiência de se movimentar pode ter impacto sobre a saúde mental. “A pessoa percebe que consegue se movimentar, realizar uma tarefa, ganhar condicionamento, força e autonomia. Isso pode melhorar a autoestima, a confiança, a interação social e a percepção da própria capacidade funcional”, completa o especialista.

Outro fator importante é o sono. A prática regular de atividade física pode contribuir para uma melhor organização do ciclo sono-vigília, o que também repercute sobre a saúde mental.

Também não é necessário esperar meses para perceber alguma mudança. Segundo o fisioterapeuta, algumas pessoas podem sentir melhora do humor, redução da tensão e sensação de bem-estar já após uma única sessão de exercício.

“Podemos ter efeitos positivos já após uma sessão, enquanto os benefícios mais consistentes estão associados à continuidade da prática”, reforça.

A resposta, entretanto, é individual e depende de fatores como tipo de exercício, frequência, intensidade, condição clínica, sono, uso de medicamentos e contexto psicossocial.

*Exercício pode fazer parte do cuidado em saúde mental*

Para o psiquiatra João Arnaud Diniz Neto, psiquiatra geral, da infância e da adolescência, mestre em Gestão de Programas e Serviços de Saúde, diretor clínico da Insight Clinic e professor da Pós-graduação em Psiquiatria da Afya Educação Médica São Luís, a relação entre atividade física e saúde mental já apresenta evidências importantes. Pessoas que praticam exercícios regularmente tendem a apresentar menos sintomas de ansiedade e depressão, além de dormir melhor e lidar melhor com o estresse cotidiano.

O especialista destaca que o efeito não pode ser resumido à conhecida ideia de que exercício simplesmente “libera endorfina”. “A atividade física interfere em vários mecanismos cerebrais envolvidos na regulação do humor, do sono e da resposta ao estresse, além de favorecer a neuroplasticidade”, afirma.

Na prática, o movimento também pode ajudar a interromper um ciclo comum em pessoas com depressão ou ansiedade: a redução das atividades, o isolamento, a piora do sono e o aumento do sedentarismo podem contribuir para a manutenção ou agravamento dos sintomas. “Então, voltar a se movimentar, mesmo que inicialmente seja uma caminhada curta, pode ajudar a quebrar esse ciclo”, completa.

O psiquiatra ressalta, porém, que atividade física não deve ser vista como substituta da psicoterapia ou da medicação quando esses tratamentos são indicados. Ela pode integrar um cuidado mais amplo, que também pode envolver acompanhamento médico, psicoterapia, sono adequado, alimentação e retomada da vida social.

Nos quadros mais leves, o exercício pode ter um papel terapêutico importante. Já em casos moderados e graves, geralmente é considerado um complemento ao tratamento. “O objetivo não é transformar todo mundo em atleta. É fazer com que o movimento volte a fazer parte da vida daquela pessoa de uma maneira saudável e sustentável”, finaliza.

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MarcPeças APAE Axixá

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