O Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar, cujos principais acionistas são a Alcoa, South32 e Rio Tinto, entrou em operação oficial em São Luís no dia 16 de agosto de 1984 (com a inauguração da sua primeira fase). Sua implantação na região portuária da Grande Ilha foi iniciada em julho de 1980 às vésperas da cidade que a acolheu completar 368 anos.

O Consórcio Alumar é citado cerca de 120 vezes no relatório de investigação dos impactos da cadeia da bauxita-alumina-alumínio no Brasil, realizado pela organização norte-americana Transparentem. (Imagem: Acervo Rede)
De lá pra cá muita coisa mudou no relacionamento institucional da Alumar com São Luís do Maranhão. Essa mudança, infelizmente, não foi pra melhor. Basta verificar o que antes a mineradora fazia pela e para a cidade em áreas importantes como meio ambiente, cultura, esporte, saúde, educação, sobretudo, na economia.
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As dezenas de ônibus da empresa Cisne Branco que faziam as rotas nos três turnos de operação da Alumar eram vistas nas principais avenidas e bairros da capital maranhense. A economia pulsava com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos e a distribuição de renda movimentava setores importantes como o comércio e prestação de serviços.
A Alumar mantinha diversas ações voltadas para apoiar eventos amadores esportivos nas mais variadas modalidades, e, no campo cultural, a mineradora exibia sua chancela quase que em sua totalidade. Não por acaso, visando atender seu extenso quadro de colaboradores e familiares a boazinha indústria de alumínio mantinha no bairro do Turu, a Associação Atlética Alumar, que na época, se transformou numa espécie de vitrine para talentosos e jovens desportistas. Pelo que se sabe, o clube foi desfeito tal qual a parceria que a empresa tinha com a imprensa local.
Isso porque, naquela bela época, a Alumar dispunha de um robusto plano de mídia voltado para o patrocínio do noticiário local, que impresso, televisivo ou radiofônico. Era tudo com propósito e direcionamento horizontal, contemplando todos de forma proporcional e eficaz.

Imagens apontam que a intensidade do vazamento chega a acumular alumina no chão da fábrica / Reprodução/Redes Sociais
No entanto, de 1894 para 2026, como dito acima, muita coisa mudou. Até mesmo a produção de alumínio mudou para alumina. Os encantos cantados pela Alumar, nos cantos das ruas e largos de São Luís, viraram lagos de decantação de resíduos industriais cravejados na Zona Rural, uma espécie de lama vermelha à base de bauxita e soda cáustica.
A imprensa maranhense, que muito fez e faz em noticiar releases adocicados das atividades da Alumar, tratando de pautas bem dosadas, sobre meio ambiente e comunidades no entorno do seu parque fabril, hoje amarga “páginas em branco e infelizes da sua história, passagens desbotadas nas memórias”, como cita a canção Vai Passar. Aliás, passou, passou rápido o tempo de ser porta-voz de algo que não dá voz, nem vez para quem muito fez. Mesmo assim, viva a imprensa maranhense!
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