O Brasil tem praias mundialmente conhecidas, uma culinária que mistura influências de vários continentes e festas populares que atraem turistas do mundo inteiro. Ainda assim, poucos símbolos parecem despertar tanto orgulho quanto o Hino Nacional. Prova disso foi a reação dos brasileiros após o jornal norte-americano The New York Times eleger o hino brasileiro como o melhor entre os 48 países participantes da Copa do Mundo de 2026. “Um dos melhores hinos do mundo”, escreveu o jornalista Tim Spiers ao destacar a composição, elogiando especialmente a introdução orquestral de 28 segundos.

Seleção Brasileira: jogadores de chuteiras cor-de-rosa (Foto: Divulgação)
O elogio viralizou nas redes sociais e reacendeu um sentimento conhecido: o orgulho de ser brasileiro. Mas, em um país tão diverso e cercado por tantos outros símbolos culturais, esportivos e digitais, por que uma canção criada há mais de um século continua sendo capaz de emocionar, unir e representar milhões de pessoas?
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Para especialistas, o reconhecimento ganha tanta atenção porque fortalece a forma como os próprios brasileiros enxergam sua cultura e seus símbolos nacionais. O publicitário e professor do curso de Deisgn da Estácio, Guilbert Macedo, destaca que os hinos são tão importantes por causa do papel que desempenham na construção da identidade coletiva.
“Os símbolos oficiais funcionam porque são institucionalizados. Ao contrário da culinária ou dos sotaques, que mudam de região para região, esses símbolos foram criados para ficar acima das diferenças locais. Eles constroem o que a sociologia chama de comunidade imaginada: uma identidade única que faz com que milhões de pessoas que não se conhecem sintam que pertencem ao mesmo país e se reconheçam no mundo”, explica.
O especialista destaca a percepção que os brasileiros têm de si mesmos, que também é muito influenciada pelo olhar estrangeiro. “A nossa autoimagem como nação depende muito de como o mundo nos enxerga. Quando um símbolo soberano, como o hino, ou grandes conquistas culturais, ganham destaque internacional, ocorre uma legitimação externa. Esse reconhecimento diminui aquela velha tendência de desvalorizarmos o que é nosso e transforma o aplauso estrangeiro em orgulho e união por aqui”, avalia.
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