Lá vem mais um canto da sereia, quando se é ciente de índices apontando para sua enorme margem de rejeição junto ao eleitorado, surgem pacotes de medidas populistas, e agora, mais esta, caprichada com tinta emocional na mídia, usando a figura materna que não tem tempo de acompanhar seus filhos e, que agora vai ser diferente, “reduzindo
a escala, vamos propiciar descanso aos finais de semana para você cuidar de seus filhos e sem redução de salário”. Maravilhoso, música para os ouvidos, clap clap clap.

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Mas a bigorna da realidade é bem diferente, o Brasil, nas Gestões Petistas, 70% dos últimos 20 anos, tornou-se um País de pobres, com alguns Estados ostentando mais pessoas dependentes de uma bolsa assistencialista do que com carteiras assinadas.
A percepção de quem está empregado, é simples, seu salário perdeu poder de compra corroído pela inflação gerada pelo próprio Governo. A renda já não é suficiente para garantir o sustento dos seus até o final do mês. Já somos 81 milhões de endividados, taxas de juros elevada, alta inflação (a real), e por isto, muitos estão fazendo escala
extra/bico para reforçar seu salário, será que realmente alguém acredita que implementada esta proposta para redução de escala, a pessoa vai descansar e parar de fazer sua renda extra que já faz hoje para suprir suas necessidades?
A urgência aqui é eleitoral, tão somente, não é nada para ajudar a sociedade. O discurso simples caiu bem no ouvido dos incautos, pesquisas indicam isso e ponto final, porta aberta para irresponsabilidade.
Primeiramente, fazem confusão em redução de horas trabalhadas com diminuição de escala, uma coisa nada tem haver com a outra, você pode reduzir as horas trabalhadas do trabalhador sem mexer na escala, isso muitas empresas já o fazem, mas o que estão propalando por aqui é abolir algo que nenhuma Nação do Mundo fez e, lhes dou 6
razões para isso dá errado.
1. Aumento Imediato do Custo do Trabalho:
Especialistas estimam que a redução da jornada sem redução de salário representa um aumento de até 22% no custo da hora trabalhada. Para empresas que dependem de operação contínua, como farmácias e supermercados, isso exige a contratação de novos funcionários para cobrir as horas vagas, elevando drasticamente a folha de pagamento.
2. Risco de Pressão Inflacionária:
Para compensar o aumento nos custos operacionais, as empresas vão repassar esses gastos para os preços finais de produtos e serviços. Isso pode gerar um novo ciclo de inflação, corroendo o poder de compra que a medida teoricamente pretendia proteger.
3. Fechamento de Vagas e Desemprego:
Entidades como a FecomercioSP alertam que micro e pequenas empresas (MPEs), que possuem margens de lucro menores, podem não suportar o aumento de custos, levando ao fechamento de postos de trabalho ou à falência desses negócios.
4. Estímulo à Informalidade e “Pejotização”:
Diante da dificuldade de manter contratos CLT sob as novas regras, muitas empresas podem optar por contratar trabalhadores como prestadores de serviços (PJ) ou recorrer ao trabalho informal para
evitar os encargos sociais e a nova rigidez de escala.
5. Descompasso com a Produtividade Brasileira:
Críticos argumentam que, diferentemente de países desenvolvidos que reduziram a jornada após atingirem alta eficiência, o Brasil ainda possui baixa produtividade por trabalhador. Impor menos horas sem ganhos tecnológicos ou de processos pode reduzir o PIB nacional — algumas estimativas apontam queda de até 0,82% no médio prazo.
6. Inviabilidade Operacional em Setores Estratégicos:
Setores que funcionam 24/7, como saúde, segurança e hotelaria, enfrentam desafios logísticos para rearranjar turnos sem comprometer a qualidade do serviço ou a viabilidade financeira, já que a manutenção da mão de obra necessária se tornaria muito mais cara.
E tem mais: não te contaram que o Brasil já tentou isso no passado? Foi na Constituinte em 1988, quando ampliaram os direitos trabalhistas sem quaisquer transições e sem estudo de impacto setorial, resultado, a informalidade explodiu nas décadas seguintes saindo de 30% para mais de 40%, ou seja, já deu errado.
Lembram das domésticas? Qual foi o efeito? A grande maioria perdeu seus “empregos” e hoje estão continuam trabalhando na informalidade, agora, como diaristas, pois os encargos são elevados (O Governo não abre mão de jeito nenhum) e, a grande maioria da população não tem como pagar.
É irônico que o Partido dos Trabalhadores pareça, muitas vezes, promover tudo, menos o trabalho. Vai uma bolsa aí….?
* Glauco Quemel é consultor em finanças e seguros, cantor, músico é compositor.
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