Entre o fim da década de 1960 e meados da década de 1970, a cidade de São Luís sofreu uma grande transformação urbana com o surgimento de diversos conjuntos habitacionais oriundos de um robusto programa popular de moradias custeado pelo Governo Federal, por meio do Banco Nacional de Habitação-BNH. Nesse novo cenário formado por casas populares, brotaram do chão, a Cohab Anil 1, 2, 3 e 4 e depois as Cohabs Bequimão, Angelim, Vinhais e Turu, para mais adiante nascerem os conjuntos Maiobão, Cidade Operária, São Raimundo e Parque Vitória.

Vista aérea do Bairro Cohatrac (Foto Reprodução via internet)
Pegando carona desse gigantesco programa habitacional na capital maranhense, no final dos anos setenta surgiram as chamadas ‘Cooperativas Habitacionais’ que deram nomes sugestivos a bairros, de acordo com a categoria de trabalhadores e/ou servidores envolvidos no projeto de moradia. Cohapam, Cohajap, Cohaserma, Cohafuma e Cohajoli são alguns destes núcleos residenciais. Mas nada que se compare à Cooperativa Habitacional dos Trabalhadores no Comércio – Cohatrac “fundado” aos 27 de julho de 1978. Isolado dos grandes corredores viários, carente de infraestrutura básica e com um irregular sistema de abastecimento de água, inicialmente, o lugar foi reijeitado por quem procurava morar bem, até se transformar nesse gigantesco polo habitacional e comercial.
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Como não poderia deixar de ser, primeiro veio o Cohatrac 1, seguido do 2 e 3. Paralelamente, surgiram no seu entorno o Jardim das Margaridas, o Conjunto Primavera e o Residencial Diamantina. Após conquistar a simpatia do seu público-alvo, fruto da parceria da Construtora Estrela com o Governo do Estado, por meio do extinto Instituto de Previdência do Estado do Maranhão – Ipem, nasceu o Cohatrac 4. Quase que simultaneamente, surgiram os Planaltos Anil 1, 2 e 3, assim como o Parque Araçagy 1, 2 e 3, além do Alvorada, Itaguará 1, 2 e 3 para em seguida erguer-se o Cohatrac 5 com casas de dois pavimentos.
Em meio ao traçado de ruas e avenidas em formato de xadrez e fazendo alusão à nomenclatura inicial do bairro, o comércio do Cohatrac foi crescendo e se expandindo pelas principais avenidas do conglomerado residencial até virar esta força mercantil que é referência na Ilha de São Luís. Em meio a esse processo de tranformação e atrativo à especulação imobiliária, loteamentos foram lançados nos arredores do gigantesco casario e assim surgiram o Világio do Cohatrac, o Cohabiano e o Novo Cohatrac. Tudo isso resultou em muitas moradias, muita gente residindo ou trabalhando no pujante setor comercial nascido de um bairro que cresceu de forma galopante, vizinho a Área de Preservação Ambiental do Itapiracó e entranhado nas áreas geográficas dos municípios de São Luís e São José de Ribamar.
Além do crescente e abrangente segmento comercial, o Cohatrac também é dono de um variado balcão de prestação de serviços. Salões de beleza, academias de ginástica, oficinas, hospitais, clínicas médicas e odontológicas, laboratórios de análises, escolas da rede pública e particular e tudo enquanto estão disponíveis para moradores e visitantes do bairro. Em números, são dezenas de bares, restaurantes, lanchonetes, pizzarias e centenas de mercearias, panificadoras, frutarias e mercadinhos, somados a uma infinidade de lojas de tecidos, confecções, móveis, eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos, artigos para presente, peças automotivas, livrarias, depósitos de materiais de construção e de bebidas, postos de combustível e uma movimentada feira-livre. Adiciona-se ainda neste robusto centro de compras e de serviços, dois grandes supermercados do Grupo Mateus, três lojas de carnes Fribal, três casas lotéricas, um shopping center de porte médio e uma única agência bancária da Caixa Econômica Federal. Somente uma, porque, recentemente, a unidade do Banco do Brasil foi subtraída do Cohatrac de maneira inexplicável.
Convém salientar que o poder público se faz presente de forma plausível no bairro Cohatrac, com unidades de órgãos estatais, com vias pavimentadas, praças arborizadas, bem cuidadas e aparelhadas com academias ao ar livre, quadras poliesportivas, campos de futebol e pistas para caminhada. Reforça a infraestrutura do bairro, um sistema de abastecimento de água e rede coletora de esgoto satisfatórios. Estão inseridas também diversas linhas de ônibus que servem usuários do transporte coletivo, postos de táxi, além da coleta sistemática de lixo domiciliar e um abrangente serviço de limpeza e de iluminação públicas. Setores essenciais como saúde, educação e segurança públicas atendem as necessidades dos moradores, muito embora, toda essa região da Ilha mereça muito mais.
Dono de um vasto calendário de eventos culturais, esportivos e religiosos, o projeto ‘Vinde a Mim’, promovido pelos evangélicos e o Círio de Nazaré realizado anualmente pelos fervorosos católicos, atraem multidões ao bairro. E assim, o Cohatrac com seus quase 150 mil moradores, ao longo desses 43 anos de lutas, conquistas, dissabores e vitórias, segue, recebendo as bênçãos da sua padroeira Nossa Senhora de Nazaré. Hoje, integrado a São Luís e a São José de Ribamar, o que não falta é força, fé e proteção dos céus para moradores, comerciantes e visitantes deste bairro que virou uma cidade dentro de duas cidades.
Diante de tanto progresso e evolução, ao longo de seus 43 anos de história, no Cohatrac fica até difícil dizer que santo de casa, e bota casas nisso, não faz milagre!
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