O segundo dia do Seminário sobre Mortes Violentas de Adolescentes e Jovens em São Luís, sexta-feira, 8, realizado no Centro Cultural e Administrativo do Ministério Público, em São Luís, contou com a apresentação de dois painéis, no período da manhã, que apresentaram realidades de Fortaleza (CE) e da capital maranhense.

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O primeiro painel foi apresentado pelo defensor público Thiago de Holanda, que abordou “A experiência da iniciativa Cada Vida Importa, em Fortaleza – a pesquisa, a geoespacialização de informações e o projeto Acolher”. O trabalho é desenvolvido pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência, uma articulação que envolve a Assembleia Legislativa, Poder Executivo, sistema de justiça e sociedade civil.
De acordo com o painelista, a articulação surgiu em um momento em que Fortaleza foi considerado o município mais violento para adolescentes no Brasil. Um dos eixos do trabalho é a produção de conhecimento, que embasa a adoção de políticas públicas. Além disso, segundo Thiago de Holanda, o conhecimento também permite uma melhor comunicação com a população, contrapondo um discurso que legitima a violência e as mortes de adolescentes.
O projeto aborda diversos aspectos, como o local de moradia, que muitas vezes vulnerabiliza as vítimas e o perfil étnico social. Os dados levantados apontam que 69% dos mortos não tiveram acesso a projetos sociais e 49% deles tinham passagem pelo sistema socioeducativo. Outra característica recorrente é a situação de abandono escolar e o contato com experiências de trabalho informal (73%).
Na maioria dos casos, os jovens tinham famílias vulneráveis e boa parte dos crimes aconteceram em um raio de até 500 metros de distância das casas deles. Em geral, os autores dos homicídios também moram na região, o que gera uma situação de insegurança para as famílias. Muitas vezes, irmãos precisam deixar de ir à escola e as famílias têm que se mudar para outras regiões.
Como formas de prevenção das mortes violentas de crianças e adolescentes, o Comitê indica a adoção de 67 ações, distribuídas em 12 eixos que passam pela ampliação de projetos sociais, a qualificação urbana, como o incremento da iluminação pública, entre outras medidas. “A morte começa no abandono”, finalizou.
SÃO LUÍS – O segundo painel foi coordenado pela integrante da Rede Maranhense de Justiça, Keila Carvalho, e teve como tema “Integrando ações na proteção social para enfrentar as mortes de adolescentes e jovens”. Participaram a secretária municipal da Criança e da Assistência Social, Andreia Lauande; a secretária-adjunta dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop), Lissandra Leite; e Solange Castro Cordeiro, da Secretaria Municipal de Educação de São Luís.
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