ALERTA – Remédio vencido? Entenda os riscos da farmacinha de casa

Analgésico para uma dor de cabeça, antitérmico que sobrou de outro tratamento, pomada, xarope, antibiótico esquecido no fundo da gaveta. Em muitas casas, medicamentos vão se acumulando até formar a conhecida “farmacinha doméstica”. O problema começa quando esses produtos permanecem guardados por meses ou até anos sem que ninguém confira a validade ou as condições em que estão armazenados.

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Casa dos parafusos

Segundo a professora de Farmácia da Estácio, Elisangela Motta, a data de validade representa o período em que o fabricante garante a qualidade, estabilidade, segurança e eficácia do medicamento, desde que ele tenha sido conservado corretamente.

“Após essa data, não existe mais garantia de que o princípio ativo mantenha sua concentração e estabilidade adequadas. O medicamento pode sofrer processos de degradação, levando à redução do efeito terapêutico e à formação de produtos de degradação ou outras alterações químicas potencialmente prejudiciais. Por isso, não é correto pensar que um medicamento vencido apenas ‘fica mais fraco’”, explica.

A perda de eficácia também pode comprometer tratamentos, principalmente em casos de doenças crônicas ou infecções. “Uma resposta terapêutica inadequada pode comprometer o tratamento. A recomendação, portanto, é clara: medicamento vencido não deve ser utilizado”, reforça.

Onde guardar os medicamentos?

Mesmo dentro da validade, os medicamentos podem sofrer alterações quando armazenados de maneira inadequada. Calor, umidade, luz e temperaturas elevadas podem acelerar reações químicas e comprometer a estabilidade do produto.

Por isso, banheiro, cozinha e carro não são locais recomendados.

“O banheiro apresenta grande variação de umidade e temperatura, enquanto a cozinha pode expor os medicamentos ao calor, vapor e gordura. Também não é adequado deixá-los dentro do carro”, orienta Elizângela.

O ideal é manter os produtos na embalagem original, em local seco, protegido da luz e fora do alcance de crianças e animais. Também devem ser respeitadas as orientações específicas da bula e da embalagem.

Alguns medicamentos, como insulinas e determinados tipos de canetas, exigem refrigeração e precisam permanecer dentro da faixa de temperatura indicada. Retirar comprimidos e cápsulas dos blísteres com muita antecedência também não é recomendado, já que a embalagem ajuda a protegê-los de fatores externos.

Venceu? Não jogue no lixo

Ao encontrar medicamentos vencidos ou que não serão mais utilizados, a orientação é procurar pontos apropriados de coleta, disponíveis em farmácias, drogarias e outros estabelecimentos participantes.

Eles não devem ser descartados na pia, no vaso sanitário ou diretamente no lixo doméstico.

“O descarte inadequado pode fazer com que substâncias farmacológicas alcancem o solo e os sistemas de água, provocando impactos ambientais. No caso dos antibióticos, existe ainda a preocupação com a contribuição ambiental para a seleção de microrganismos resistentes aos antimicrobianos”, alerta a professora.

Elizângela recomenda ainda fazer revisões periódicas na farmacinha de casa, conferindo datas de validade, condições das embalagens e retirando produtos que não serão mais utilizados.

“Medicamento não é um produto comum: desde a forma como é armazenado até o momento do descarte, exige cuidados específicos”, destaca.

Em caso de dúvida sobre conservação, validade, uso ou descarte, a orientação é procurar um farmacêutico.

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Axixá

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