Quando integrante do poder legislativo como deputado federal, Domingos Dutra, que se rotula como um dos fundadores do PT, sempre usou do discurso da humildade e da defesa dos menos favorecidos. Atacou a pedradas o que ele chamava de classe dominante, com foco especial no que ele rotulou de ‘oligarquia’ comandada pelo ex-presidente José Sarney, a quem ele batizou de ‘futi’. Como um franco-atirador, Dutra chegou a fazer greve de fome em Brasília e viu os holofotes midiáticos chegarem em sua direção a nível nacional. Após as eleições de 2010, aliviado e vitorioso nas urnas, o então parlamentar reeleito divulgou na imprensa um manifesto intitulado “Domingos Dutra: ‘vencemos o futi'”.

Domingos Dutra: de atirador de pedras a telhado de vidro (Foto Internet)
Dutra iniciou assim o seu artigo: “Companheiros e companheiras, Sou Domingos Dutra, fundador do PT. Destes 30 anos de vida pública, as eleições de 2010 foram as mais difíceis de minha vida. Enfrentei de tudo e a todos para conseguir a minha reeleição. Até fiz greve de fome para ter o direito de ser candidato e não ser obrigado a fazer campanha para a candidata da oligarquia Sarney”. Depois de muito blá, blá, blá textual, o então deputado federal reeleito arrematou: “Apesar de tudo venci e vencemos o FUTI. Agora dedicarei este mandado a você que deseja um Brasil justo e um Maranhão livre das garras do FUTI. Continuarei cultivando a humildade, a honestidade e lutando em defesa dos mais humildes e dos que clamam por pão, paz, trabalho e justiça”… e assinou: “JUSTIÇA SE FAZ NA LUTA – Deputado Domingos Dutra. (íntegra do texto confira em https://jornalpequeno.blog.br/johncutrim/domingos-dutra-
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Quase uma década depois desse escrito, o agora prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB), de atirador de pedras passou a telhado de vidro. Para piorar sua situação, entrou num tipo de jogo que muito pouco provável sairá vencedor. Alvo de ações e mais ações civis públicas apresentadas pelo Ministério Público do Maranhão (1ª Promotoria de Justiça de Paço do Lumiar), cujo fundamento central são atos de improbidade administrativa e procedimentos ilegais praticados por Domingos Dutra e/ou sua equipe de governo, o comunista enfrenta uma avalanche de denúncias, rejeição popular e mostra total descontrole gerencial de suas funções públicas e até desequilíbrio emocional.
Talvez, insuflado pelo jogo da sua “dama” ou da lama tentadora da corrupção, Domingos Dutra lançou por terra toda uma história de luta na vida pública. Como num xeque mate, jogada do xadrez que representa o final da partida, o prefeito de Paço do Lumiar prova hoje de um veneno que ele sempre combateu. Ou seja, Dutra não fez jus ao nome do seu município e deu um grande ‘passo’ em falso, mesmo tendo a ‘luz’ da transparência para lhe orientar. Jogando solto e sujo, o gestor municipal acabou se embaralhando de vez. E aí, xadrez é xadrez e xeque mate é xeque mate.
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