Reunir a família em casa e receber amigos com a mesa farta para um almoço de domingo é um jeito bem brasileiro de hospitalidade. Na família do mecânico Jean Carlos não pode faltar carne e feijoada para deixar o almoço especial. “Todos os domingos nos reunimos para um churrasco em família. Cada um traz um prato e o que não falta é comida”, garante o mecânico.

Escolhas conscientes podem reduzir o desperdício de alimentos no país (Reprodução)
Assim como o seu Jean, milhões de famílias brasileiras não abrem mão de reunir a família para um dia de comilanças. Mas o hábito revela uma característica preocupante dos brasileiros: o desperdício.
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Um levantamento realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta dados surpreendentes.
Por ano, cada brasileiro desperdiça 41,6 kg de comida. Ao levarmos em consideração uma família com três moradores esse volume é de 128,8 kg ao ano.
Dados da FAO Brasil – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, 28% dos alimentos se perdem no processo de produção agrícola e outros 28% são jogados no lixo após chegarem às casas dos consumidores. No mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas de comida são descartadas por ano.
Enquanto toneladas de alimentos são desperdiçadas, a fome atinge 5,2 milhões de pessoas no Brasil. Para se ter uma dimensão do tamanho do problema, a população do Uruguai é de 3,5 milhões de pessoas. O número de pessoas que passam fome no Brasil supera em 1,7 milhão a população do Uruguai.
Soluções
Para tentar reverter esse quadro, a mudança precisa começar dentro de casa. “O melhor passo para evitar o desperdício é comprar na medida certa. Faça uma lista com os item realmente essenciais ao ir às compras. Assim, você evita a compra de produtos que não serão consumidos”, orienta a coordenadora do curso de nutrição da Estácio São Luís, Monique Nogueira.
O hábito de fazer compras para abastecer a despensa pelo mês inteiro, praticado por 61% da população, segundo o levantamento da FGV e Embrapa, talvez não seja uma boa opção, “Alguns consumidores acreditam que fazer compras para o mês inteiro é mais viável, mas o que elas não sabem é que essa prática pode criar um consumo por impulso, quando se leva mais que o necessário”, revela a nutricionista.
Aproveitar partes não convencionais dos alimentos é outra saída para o desperdício. De acordo com a nutricionista, é possível aproveitar partes importantes de frutas e verduras que possuem alto valor nutricional, que, na maioria das vezes vão para o lixo. Veja alguns exemplos:
· Os talos do agrião contém grande concentração de ferro, cálcio e vitamina C;
· As folhas da cenoura são ricas em vitamina A;
· A casca da laranja é rica em cálcio e pode ser usada caramelizada;
· A parte branca (entrecasca) da melancia e do melão são ricas em fibras e potássio.
Por serem consideradas apenas sobras, é muito comum que todos esses itens citados acima sejam descartados todos os dias. Mas a especialista garante que os alimentos são fundamentais para o organismo. “Eles contam com micronutrientes atuam em diversas funções corporais e são essenciais para um bom funcionamento do organismo, regulando o trato gastrointestinal, prevenindo contra doenças cardiovasculares e até contra a diabetes”.
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