DO BARRO AO BAIRRO – Cohab Anil: de casas populares a um robusto e movimentado polo comercial

Concebido e construído entre meados da década de 1960 e início dos anos 70, por meio de um arrojado programa habitacional do governo federal, o processo evolutivo do bairro Cohab Anil, em São Luís se confunde com o tempo. A criação do bairro deu-se por meio de quatro conjuntos residenciais (Cohab Anil 1, 2, 3 e 4), entregues em anos distintos, primeiramente batizado por Casas Populares ou “Casa Popular”.

Imagens aéreas da Cohab (Reprodução: @3ddronesma)

Isso porque, o então Ministério do Interior ergueu milhares de moradias em padrão popular com financiamento do Banco Nacional da Habitacional (BNH). Tudo parte de um dos maiores programas residenciais da história do Brasil, através da extinta Companhia Nacional de Habitação (Cohab).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Casa dos parafusos

Casas do 4° Conjunto Cohab entregue em 1975

Além de casas, uma grande infraestrutura foi construída para atender os milhares de moradores do núcleo habitacional. Escolas da rede pública, posto de saúde (Caudec), delegacia de polícia e um bem equipado centro comercial anexo à feira livre foram disponibilizados no “distante” bairro. Em seguida, o lugar ganhou uma maternidade pública, dois supermercados (Lusitana e Sampaio), além de padarias, lanchonetes,  postos de combustível e diversas lojas de pequeno porte, que vendiam de tudo um pouco. Nesse caso, destaque para o Varejão Gonçalves e A Miscelânea. Também se instalaram na “Popular” estabelecimentos de ensino da iniciativa privada como o Colégio Pax, O Pequeno Príncipe, Colégio Santo Antônio, Escola Moranguinho e Instituto Freitas Figueiredo.

Para mobilidade de tantos moradores rumo aos seus locais de  trabalho e estudo, assim como para a região central de São Luís e bairros tradicionais, três linhas de ônibus (Casa Popular Aurora, Casa Popular Anil e Popular Ipase) foram disponibilizadas através da Empresa São Luís. Mais adiante, as duas primeiras linhas citadas foram substituídas por Circular 1 e Circular 2 com concessão da Empresa 1001. Também dois postos de táxis fixos em frente aos dois supermercados serviam quem podia usufruir de mais conforto aos seus destinos.

Imagens aéreas da Cohab (Reprodução: @3ddronesma)

Naquela bela época o entretenimento de moradores da Cohab se dava por meio de uma modéstia rede de bares e afins. Vale lembrar que além da Associação de Moradores, que depois passou a se chamar Clubão da Cohab, ambientes alegres como Bar e Boate Guanabara, Base das Coroas, Arapuca de Ouro, Intertrex e O Escurinho eram um dos pontos mais cobiçados pelos boêmios cohabenses e seus convidados. Cabe aqui registro para a boate Millenium que chegou anos depois e também para o Cine Teatro Popular, onde moradores apreciavam a sétima arte em um imóvel anexo à Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

No esporte e lazer, além das inúmeras opções do Centro Social Urbano (CSU) e o estádio Fecurão, que bem antes era chamado de estádio Olímpio Guimarães, a Cohab concebeu o Expressinho Futebol Clube, que disputou o futebol profissional maranhense. Merece registro a Escola de Samba Mocidade Independente da Ilha, que ainda arrasta suas “alas feiosas” no carnaval de passarela de São Luís, além do Bloco Os Vampiros e o grupo folclórico Pirilampo que canta e encanta nos festejos juninos.

Placa anuncia a construção do 4° Conjunto da Cohab (Foto: Reprodução)

Por meio de competições promovidas pela Liga Autônoma de Futebol da Cohab foram revelados  diversos craques de bola apresentados pelo “Flamengo de Seu Peixoto”, União, Colorado, Ponte Preta e “Olaria do Seu Ari”. Aqui deve-se fazer registro especial para o Tiradentes, fundado por Araújo “Cabeça”, com sede na Rua 9 do 3° Conjunto da Cohab. Essa artéria pública também foi o endereço do Vasquinho, Sendas e Atlântico, cujas performances não foram tão exitosas.

Vista aérea da Cohab – Reprodução: @3ddronesma

Hoje, a Cohab de trânsito intenso e grande movimento de transeuntes, com  diversas agências bancárias e casas lotéricas, com economia pulsante, foi tudo isso e continua sendo uma promissora cidade dentro de uma cidade grande. De modéstio núcleo habitacional se transformou em robusto polo comercial. Tanto é assim que além do vizinho Rio Anil Shopping, a “Casa Popular” ou Cohab, como queira-se chamar, se dá ao luxo de ser endereço de dois outros “shoppings”, com as devidas proporções: o Pop Center e o Dalplaza Center!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

MarcPeças Axixá

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *