O maranhense José Sarney sempre foi um político sonhador e realizador de suas ideias concebidas nos “braços de Morfeu”, o deus do sonho. Não por acaso, quando assumiu a Presidência da República em abril de 1985, o visionário político idealizou planos e projetos para o Brasil e por isso, foi criticado em demasia pela imprensa sulista, mas não perdeu a cadência e nem a postura, diante dos impetuosos ataques diários, através de parte de quem trabalhava para informar e formar opinião.

José Sarney, o então ministro dos Transportes, Zé Reinaldo Tavares, o saudoso ex-governador Cafeteira e demais autoridades (Foto/Reprodução)
Entre sonhos, pesadelos e realidades, basta lembrar do Plano Cruzado, lançado em 28 de fevereiro de 1986, que visava combater a inflação galopante que assolava o Brasil. Até a figura do “Fiscal do Sarney” foi criada para impulsionar o plano monetário, que envolveu brasileiros de norte a sul do País. Após seu fracasso, ainda vieram os planos Verão e Bresser, mas nada capaz de segurar o monstro da inflação que achatava salários, causava desabastecimento, nutria a carestia e provocava desemprego.
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Em linhas paralelas a essa turbulência na economia brasileira, que servia de pautas diárias para o noticiário nacional, em 1987, Sarney, literalmente, encontrou em duas retas metálicas, forças para anunciar a construção da Ferrovia Norte-Sul, que deveria ligar a Estrada de Ferro Carajás, no Maranhão, à malha ferroviária das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Na ocasião, muitos zombaram do presidente Sarney, que parecia querer dar nó em trilho, segundo o que pregavam muitos de seus caçoadores, em redações de jornais e revistas, e estúdios de emissoras de rádio e TV.
Tanto foi assim, que na época, até mesmo escolas de samba do Rio de Janeiro levaram para a Marquês de Sapucaí, enredos e sambas zombando da nova e sem rumo ferrovia. No carnaval de 1988, a Imperatriz Leopodinense, por exemplo, cantou em alto e bom som “Ô ô ô piuí/ Piuí lá vem o trem/ A ferrovia é brincadeira de neném. (…)
Passaram-se quase quatro décadas, período em que os sucessores de José Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco, FHC, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, deram suas parcelas de contribuição para o extenso modal ferroviário. Agora em 2023, vem Lula, de novo, inaugurar um trecho da Ferrovia Norte-Sul, dessa vez, a chamada última etapa do “mega projeto” idealizado pelo ilustre ex-presidente José Sarney.
O presidente Lula desembarca nesta sexta-feira (16) na cidade de Rio Verde, na região Sudeste de Goiás para a cerimônia de entrega do que alguns chamam de último “elo” da Norte-Sul. O comentário é que o petista e ex-rival do emblemático político e sonhador maranhense, telefonou para Sarney e o convidou para participar da solenidade, ocasião em que será homenageado. Diplomático e fino no trato, Sarney aceitou o convite. Lula fará um discurso exaltando a visão estratégica do então governante da nação brasileira.
Zé Sarney, com seus 93 anos de idade, por sua vez, assistirá a transformação do seu sonho em realidade. Afinal de contas, cinco anos depois da Imperatriz, outra escola de samba do carnaval carioca, a Mocidade Independente de Padre Miguel, levou pra avenida o tema “Sonhar não custa nada/ Não se paga pra sonhar“.
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